08 Janeiro 2011
Um comentário que passou despercebido neste blog, por quase 3 anos...
Em abril de 2008 eu fiz um post a respeito do livro Marley & Eu, do John Grogan. E ele teve um comentário que eu não vi. O email de retorno estava com problemas, não percebi, e agora nem sei dizer quando foi feito, porque a data do comentário também não estava certa. Enfim, foi até bom que eu não tenha visto, porque senão eu iria honrar a minha fama de grossa e radical. Mais do que vou ser agora.
O Ricardo Rayol, um cara que eu gosto(ava) de ler, caiu zilhões de pontos no meu conceito quando disse que "I hate pets e sempre me surpreendo com quem gosta tanto." Pra mim, quem não gosta de animais não presta - ponto. A pessoa pode não querer ter um animal, respeito e acho até muito bom que quem não tem paciência, disposição, bom humor, não deve ter um pet (detesto esse termo, mas ajuda a economizar toques na digitação. E os que eu economizei com o termo, gastei múltiplas vezes com a explicação..hehehe...). Ter um animal de estimação é exatamente como ter um filho: é bom, traz alegrias e bons momentos, mas dá trabalho, custa caro, exige paciência e dedicação, compromisso e muito amor.
Agora, entre não querer ter um, e dizer que odeia... a coisa toda muda de figura. Não sei se foi essa realmente a intenção do Ricardo, ou se ele só usou uma palavra errada. Se foi um termo mal-empregado, ótimo. Respeito seu direito de não querer ter um pet, fim da questão. Mas, se não foi, se ele realmente quis dizer o que disse...
Quem "odeia" pets é a pessoa que, ao passar na rua e ver um bichinho morrendo de fome e sede, sofrendo com ferimentos ou doenças, simplesmente ignora, não registra, nem percebe. É alguém que não se importa com o destino de um animal jogado de um carro em movimento por um filho da puta que pensa que aquilo ali é apenas um objeto a ser descartado. É alguém que chuta um cão que vem cheirar seu pé na rua. É alguém que põe carne com chumbinho no telhado pra que os gatos da vizinhança não o incomodem à noite. É alguém que reclama quando o cachorro do vizinho late feliz para cumprimentá-lo quando ele chega em casa, mas que acha bom se um cão de guarda, muitas vezes alugado e maltratado, defende uma empresa ou residência. É alguém que não quer se dar ao trabalho de se preocupar se o centro de zoonoses da sua cidade é um verdadeiro açougue, se a vacina que deveria salvar a vida de animais e resguardar a vida de humanos estava podre e matou vários pets, e se importa menos ainda com o sentimento de quem perdeu esse amigo. É alguém que não sabe o que é o amor incondicional, mais puro e verdadeiro que amor de filho, porque não exige, não cobra, nem mesmo pede nada além de um afago e um pouco de amor, e não se importa se você é rico ou pobre, feio ou bonito, gordo ou magro, preto ou branco.
Eu não tenho filhos, nunca quis ter um, mas não odeio crianças. Mas a cada dia que passa descubro que odeio quem odeia animais. E começo a perceber que muita gente que eu admirava não merece esse sentimento. Admiro meus cães. Admiro a simplicidade deles e quanto de amor eles tem pra dar. Admiro protetores de animais, que fazem das tripas coração para minimizar o sofrimento de inocentes. Admiro quem faz trabalho voluntário, quem ajuda um orfanato ou asilo, quem se preocupa em tirar um ser humano das ruas e ajudá-lo a ajeitar a vida. Admiro quem se propõe a por a mão na massa pra melhorar o mundo, seja ensinando uma profissão em uma escola na favela, seja se pintando de palhaço pra fazer uma criança com câncer rir um pouco. Mas percebo que só inteligência, cultura e boa redação podem vir na frente de um ser humano muito pequenininho. Tão pequenininho que eu posso simplesmente ignorar, não registrar, nem perceber.
E ó
pra vc.
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1 comentários:
Di, já era tua fan. Agora sou mais ainda. Concordo 100% com cada palavra. Tenho filhos e sempre coube espaco para um bichinho amigo aqui em casa e nos nossos coracoes. Complementa nossas vidas com o amor incondicional. E nao entendo quem nao só nao gosta mas odeia!!! Um zero à esquerda como ser-humano.
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